segunda-feira, 19 de outubro de 2009

UM HINO À LUSOFONIA... E COM GRAÇA

Na beleza da Pátria que é a Língua Portuguesa (cfr. Fernando Pessoa), todos os males entendidos se resolvem...
Portugal, Brasil e África sempre tiveram na "saborosa língua" modos de se deleitarem.
Ora vejam só o delicioso poema de Américo Rodrigues (imortalizado pela declamação de João Villaret)! Uma delícia...

“D. João VI e a Mulata”

Quando a corte de D. João VI
Chegou a Paquetá
Tudo servia de pretexto
P’ra censurar, p’ra criticar
Certa mulata que havia lá

Diziam que ela era um perigo
Que ela era uma tentação
E que um marquês de novo antigo
Desdenhava o rei, não cumpria a lei,
P’ra ser só dela o cortesão.

Mas quando alguém o censurasse
Pedindo ao rei que a exilasse
Pelo mal que fazia
D. João VI trincava uma coxinha
De frango ou de galinha
E sempre respondia
Já lhes disse que aqui em Paquetá
Eu sigo a lei da corte de Lisboa
E não me digam que a mulata é má
Porque eu decreto que a mulata é boa

Certa noite muito escura
A moça se assustou
Vendo surgir uma figura
Gorda, a ofegar
Que sem falar
Nos gordos braços logo a apertou
Ela sentiu-se muito aflita
Como dizer que não
Até na treva era bonita
E lá fez de conta, que ficava tonta
Sem saber que era o seu D. João.

Mas quando alguém o censurasse
Pedindo ao rei que a exilasse
Pelo mal que fazia
D. João VI trincava uma coxinha
De frango ou de galinha
E sempre respondia
Já lhes disse que aqui em Paquetá
Eu sigo a lei da corte de Lisboa
E não me digam que a mulata é má
Porque eu já sei como a mulata é boa.

post de David S. (300)

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